domingo, 31 de janeiro de 2010


Não consigo largar o vício.
Essa manifestação do querer.
Já criei diálogos longos, e monólogos
intensos; falei com minha mão.
Se aprende a ser o que se é.
Essa mistura de prazer e dor
que definha e realiza a vida.
Gargalhadas seguem-me,
como o sangue que lateja
nas vias públicas de minhas veias.
O sorriso eu escondi algum tempo.
Mas restou a intenção, o crepúsculo.
Restou milhares de contas coloridas,
um rosário a ser desfiado toda manhã,
toda noite, por dedos rápidos e ansiosos.
A alegria é uma coisa única de cada pessoa.
Assim como o coração.
Seu sabor e seu medo.
A dose certa e correta da batida.
Se soubesse a dose certa e correta...
Tomaria o veneno, e sorveria o remédio!
Eu opto pela não condição.
Eu serei enquanto puder não ser.
Suavemente não ser notada.
Como um aroma muito distante,
em uma manhã repeleta de odores!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Indefinida...

...Já escrevi inúmeros perfis aqui...
Talvez por ainda não ter conseguido definir-me completamente.
Eu agradeço.
Não gostaria de ser retidão somente.
Sigo a vida moldando-me à cada dia.
Imperfeita sim.
Todas as minhas células se compreendem e se distanciam...
Sim; tenho momentos terríveis!
E muitos bons momentos, todos comigo mesma.
Acredito sempre, mesmo quando não aparece em meu rosto.
Eu sou uma, partida em muitas, e me respeito por isso.
Me respeite também.
Quem sabe?
Talvez eu deva pedir perdão...
Talvez devam perdão a mim!




Foto Kassius Santos.

Aleatório.

Aleatoriamente...
O promontório no mar
algumas gaivotas
marolas...
e o olhar!




Foto Kassius Santos.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Meio-fio.

...Eu pensei em dizer algumas coisas.
Como um bêbado palpitante quer dizer coisas.
Como se a língua atropelasse o cérebro,
queria dizer coisas como Raul, que também
pode ser luar, dependendo de como se lê.
Coisas além do sentido, e sem sentido.
Coisas muito sentidas, absurdas!

Coisas que deixei de dizer aquela noite...
Ou aquele dia, no meio fio da vida,
quando a enxurrada trazia filtros vazios
de cigarros evaporados...

Coisas que esclarecessem dúvidas
coisas que criasse olhos atentos, coisas ao
ouvido do mundo!

Coisas caídas pelo chão, como folhas vagas
apenas por serem folhas, e nunca por serem vagas...
Faltou um minuto para mim, aquele em que se sibila
o veneno das palavras, a ânsia que precede o floreio
do tom, faltou o som!

Então, em mãos inexatas, veio a exata vocalização
do momento, as frases , os acentos.
Toda a gramática sempre tão desnecessária...
Eu escrevi.

domingo, 8 de novembro de 2009

...Eu pensei em escrever alguns poemas.
Sem simetria.
Uma bicicleta azul vinha...
Estradas com um longo fim!
Flores coloridas e alguma aridez baldia.
Eu pensei, em coisas e em coisas que eu não fazia.
Pensei em fazer poemas, alegorias.
Uma bicicleta azul vinha.
De uma época antiga.
A umidade se impregnava nas vias!
Folhas secas e alturas.
O certo e o errado, não eram a questão.
Viver o que o momento pedia...
Eu pensei em escrever sinais,
alinhados em uma reta torta.
Passei uma vida imaginando significados...
Obviamente eu não via!
A vida seguiu, apesar e com todas
as coisas.
Eu pensei:
È o certo.





Foto Josias Santos.

domingo, 30 de agosto de 2009

Words.


Nem mesmo o alvoroço da condição,

ter sempre os pés a frente, cada dia

a semeadura é feita com o coração!

A impossibidade de se ter sempre

a reposta á mão...

A impossibilidade da questão!

Entender o quer dizer o sim

e muitas vezes o não.

Porque a razão?

Porque o querer destoa da condição?

Nem sempre o dia claro, nem sempre

a estrada reta, mas as curvas, a falta de

dimensão, oblíquo o ser, olhar e ver...

Deveria ser...

Palavras são tantas, quando querem dizer nada;

o silêncio toma forma, é de uma beleza danada!


O ouvido, onde corre o vento...

Deixe falar!
Foto Meinframer ( Gabriel Andrade)

domingo, 23 de agosto de 2009

Desapego...


È preciso não precisar...

Como não se notar a respiração;

o batimento do núcleo.

È preciso largar aberto as portas,

as passagens, os sonhos...

Não se prender á coisas que prendem,

Dominar o domínio.

È preciso o cuidado do desapego;

lamber os lábios ao sabor do medo,

mas sempre deixar ir, correr os pingos

da chuva, as folhas ao vento...

Desapego; fotografar o vento!

Há tempos que são longos e monótonos...

A vida ia, os olhos viam, mas não queriam

pra si, guardavam , como cores na íris inquieta

e deixavam ir, toda aquela embolia, a folia da vida!

È preciso deixar de querer como seu, o mundo, as coisas, o ser!

È preciso não querer modificar os caminhos...

A saliva se faz sem esforço, o osso, o sangue que tece e fia

a bomba que comanda o alvoroço! Desapego!

È preciso que se exalam perfumes; flores no lixo, sem estorvo.

Borboletas no estômago, todo dia, pra marcar o não vazio que é viver!