sábado, 1 de março de 2008




...Eu escrevo.


O medo e sorrio,


mostro dentes,


mostro a alma.


Desnuda, palavra muda.


Eu escrevo.


Bem e mal de todo dia.


Dor, agonia.


Escrevo porque sinto.


Escrevo e sorrio.


Lânguidamente, serpente!


Escrevo e finjo dor.


Fingidor.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Dúbio!

Meu coração é um rio, que pensa que é o mar...
Por vezes salgado, inventa ondas...
Escuro e profundo, lambe a areia.
Reflete o luar... E volta e meia, na cheia,
Banha meu olhar!

Viagem...


...Eu passeei por entranhas.
Eram estranhas.
Diferentes na dor, mais similares na proporção.
Em cada ato, uma ação;
batida do coração.
Eu entrei em quartos que não eram meus;
e vi paisagens distintas, cheiro de tinta.
Figuras pintadas nas paredes, mogno polido.
Eu passeei por segredos e ruídos no ouvido.
O som do silêncio habitava os cómodos;
resquícios de lembranças...
Havia vida ali.
A saudade era tanta!
Musgos amarelavam-na.
Passeava por entranhas estranhas...
Ora ri, ora chora...
Mas sempre está; aflora!

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Monólogo.


...O que quer de mim?
Carne?
Alma?
Aflição?
Se nada podes dar-me.
Se palavras aderiram-se às suas paredes;
elas não dizem nada.
Secaram minha raiz, deixaram-me por um triz!
Caminhei em via-sacra, quase calvário; mas caminhei.
Nem mais o açoite de seu olhar, em meu calado falar.
Nem mesmo o dia -noite, e as feridas no cerne do coração!
Nada podes dar-me.
E mesmo que queira, ainda que almeje; nada podes tirar-me!
Porque já não existo, fundi-me aos elementos;
tornei-me aço!

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Bipolar...

Meio da metade, a face ao meio.
Desnorteio.
Se ao sul , o norte, o inverso contrareio.
Face a face, é que se vê o anseio.
Medo, que nome feio!
Bio, biodiversidade, muitas partidas ao meio.
Me diga você; que vive e se levanta, toma café e janta.
Como se vira, quando aperta a sua garganta?
Me diga, se o espanto te espanta?
Me diga, se o inferno te encanta?
No canto da parede, onde se pendura a rede.
Me diga você, se o inverno te encanta?
No frio da parede, onde o mofo se aloja.
Na bipolaridade de teus atos.
Automaticamente calçar seus sapatos.
Matematicamente, fazer suas contas.
Eu quero o batimento do orgão que te nutre,
e espalha o vermelho por suas artérias vermelhas e frias!
Aperte com a mão, é seu meu coração... Oco como um estômago vazio.

Sonatas.

Devo estar fugindo...
Soa, soa ao longe, barulho de sino.
Mas não ao meu ouvido;
são sonatas, acordes de violino!
Canções rameiras, na estrada de terra,
essa terra verde que me cerca.
Soa, soa ao longe...
No limbo de meu ouvido.
Farfalha a língua ao falar, falha.
Vejo montanhas de neve...
Vejo montanhas, onde eu possa descansar meu olhar.
È ilusão?
Não sei, me responda!
Ou esconda.
Hoje é apenas um dia antes de amanhã.
E amanhã é talvez, quem sabe...
O hoje ainda está aqui.
Eu o procurei no sorriso, na neblina do dia quando me levantei.
Eu olhei com a retina descoberta, olhei para o alvorecer, e que belo era!
Me deram palavras para que eu as transformasse.
Como se manipulasse odores, eu inventei alquimia.
Eu vi a lua no céu quando ninguém via.
O dragão existia, cuspiu fogo; mas não a tomava, apenas iludia...
Me deram palavras para que eu inventasse versos; não sou poeta, como faria?
Mas fiz, e saiu algo que por vezes inebria!
Coma a lua que só, sorria!