quinta-feira, 21 de maio de 2009

Eu estive ausente.Foi necessário.
Alargar meu pequeno rio corrente.
Foi necessário como respirar sob a mascara de oxigénio,
o ar que falta. Mesmo em minhas estradas mais conhecidas,
haviam perguntas diferentes, soltas no ar ... a mesma dificuldade
em respirar!
Eu viajei por cómodos de mim mesma,
ora tão diferentes e indagadores!
O mesmo sol de milénios me cercava, calado.
A vida me observou durante uma vida.
E se manifestou num minuto!
Eu estive ausente, como quem viaja,
como quem se apaga...
Eu estou de volta; é necessário.
Respirar.
Já não preciso mais da mascara.

sexta-feira, 9 de maio de 2008


Sinestesia.
Sinta a poesia.
Anestesia, dormente alma sem calma.
Lapida a palavra bruta;
o olho que escuta.
Sinta.
Sentidos lidos.
No livro aberto , sem linhas, deserto!
Exista.
Na vida.
Persista na lida.
Ouvidos para ler, o que olhos vêem; o ser.
Ser a metade, siamês, grudado...
Sinta na pele o barulho do vento;
silêncio!
Abra o espaço infinito de ser.
O vento, o tempo.
Sinestesia.
Teça a teia, areia.
Cheia lua no céu, bola de meia.
Teça o fio, brilho.
Teça estrelas!
Cometas.
No seu da boca, o hálito de seu olhar.
Morda, veneno mordaz.
Morda voraz!

...Sempre no caminho das pedras.
Descalço, porque gosto da dor.
Porque anseio o torpor de sentir.
O ir e vir de todo dia.
Nuvens de algodão no céu, desenham
minha alma disforme, ou sempre de
alguma forma.
Eu vi muito cedo a dor de viver.
Mas eu a cumprimentei sorrindo!
Era um sorriso rasgado de quem vez por outra,
se abdica da loucura; alguém que procura a cura.
Eu mergulhei muito cedo nesse mar, sou um objeto
variável e inconstante, mutante, camaleônico.
Mas eu carrego em mim a ânsia, de buscar sempre
além dos jardins, de encontrar no ermo, o lugar.
Mesmo que seja meio do nada.
Mesmo que eu seja só palavras.
Quem consegue ver-me, me vê.
Mesmo com lacunas abertas,e essa
doce e estranha agonia, de sempre estar a um passo
de nada ter, mas sempre ver.
Mesmo com o olhar escondido, mesmo na diferença
do ser, eu procuro.
Sem óculos escuros.
Se é fardo, eu carrego.
Se é sina, eu assino.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Despropósito.

É de amargura
a dor tem cura;
na noite sem lua, estrelas sem mãe.

É de esquecimento.
escrevi seu nome no mar,
para que salgado me desse paladar;
onda veio levou embora seu sabor.

É de dentro da roda que fico tonta
mas bebo as cores dos vestidos
bêbada de luzes coloridas!

É de tanto, que se vê o pouco
pouco a pouco a razão perdeu o juízo;
quando se encontrou deixou de ser ela.

É de qualquer flor, o perfume no jardim,
então porque presentea-lo ao jasmim?
Mesmo longe serei lírio, serei delírio!
Encha de incertezas minha vida
pois saberei que não são certas!

Eu quero o cansaço, derreter-me.
Me cansei de ser aço!

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Falei-me.

Eu sou um ato falho.
De todas as maneiras, tento descrever-me,
mas não encontro papel suficiente.
Corpo, coração , mente.
Tudo em mim mente, engana , sente.
Tudo em mim demente.
Tudo em mim nada, afoga!
Tudo em mim rio , mar
tempestade, paladar!
Tudo em mim fere, cerne.
Tudo em mim sopra , veda,
abre e fecha comportas,
nada em mim comporta.
Torta.
tudo em mim fala , embala.
Tudo em mim doí.
Tudo em mim se perde, laços , nós.
Tudo em mim labirinto, céu, vento.
Tudo em mim percebe, pressente, sente.
Tudo em mim vasculha. Dilacera.
Tudo em mim outono , amarela!
Nada em mim cala, boca, olho , cela.
Tudo em mim encara, vida , dor.
Tudo em mim tempera, sal água, dissabor!

Queda livre.


...Hoje , amanheceu chovendo aqui...
E eu me lembrei de penhascos e precipícios.
De ventos.
Hoje, muito de manhãzinha, eu quis jogar-me,
e muito naturalmente não ter asas.
Apenas sentir a queda, a vertigem.
Somente pelo gosto da dor.
Somente pelo sabor e pelo dissabor.
Eu fechei meus olhos , coisa rara!
E me tornei tão tangente, que até vi o vento.
Eu voei entre abalos sísmicos, olho de furacão.
Eu perdi a razão, e como foi bom!
Hoje, quando amanheceu aqui, nas terras verdes
que me cercam, eu fiz meu abismo, meu precipício,
para me sentir livre!
Eu me joguei sem nenhuma rede lá embaixo, sem asas...
Apenas pelo gosto, pelo gosta da dor!
Pelo sentir que me devora!

Tensão.

Pés , dedos , mão.
Nervos, cerdas, coração!
Ar , entra e saí, pulmão.
Ouvido, corredor, é por onde corre a dor?
Planta dos pés, pescoço, osso
flua o sangue como vento de Agosto...
Me cansei de palavrinhas, toda e qualquer inha.
Quero imensidão, plantio de girassóis, sol.
Tensione, tenso, hiper propenso.

Eu não lambo pés de ninguém,
por isso sou eu mesma, esse alvoroço!
Tenso, tensione, tensão,
dedo, pé, chão!