
Olho para a árvore de flores exóticas.
Como se fossem borboletas pousadas em sua copa.
Olho para além da árvore.
Montanhas vazias.
A dor na cavidade do peito.
Olho para a casa arrumada, roupa lavada, criança dormindo.
Olho para dentro de mim.
Onde estou eu? Para onde me falta ir? Ao irreal?
Ao absurdo desse desassossego.
Como eu queria ser e não ser sem jamais ter que responder a questão!
Olho para todas as coisas que eu não fiz, e enfiei em um buraco qualquer.
Arestas aparadas guardadas em malas secretas, que não querem mais ficar em cofres. A dor na cavidade do peito, eclodindo, lançando suas lavas incandescentes, queimando até as cinzas todo meu continente!
Gritando, pedindo, implorando pra sair, para esvaziar as represas!
Coisas sem terminar, inícios sem fim.
Olhe pra mim! Essa angustia infinita!
Sou eu na sala, na cozinha, na janela, na árvore, na montanha, na cavidade do peito...
Inexoralmente querendo viver!